![]() |
|
![]() Fãs do pop mais puro, comercial, simples, cantável e dançante sempre podiam contar com os Fevers, Incríveis, Wanderley Cardoso, Roupa Nova e tantos outros. Sem falar nos menos nacionalistas, que só gravavam em inglês, como Sunday, Pholhas, Morris Albert (autor do standard internacional "Feelings",de 1974) e Chrystian (que com seu irmão Ralf formaria uma das melhores duplas sertanejas dos anos 80). Mauro Celso e "Farofa-Fá", Ponto & Vírgula e "Chacrilongo", Medida Certa e "Coco, Só Coco" são apenas três artistas dos anos 70 cujo humor descompromissado e precedeu o besteirol dos anos 80 e 90, do Espírito da Coisa, Falcão, Mamonas Assassinas e outros. Com a diferença de que a liberação dos costumes possibilitou a estes últimos utilizar generosas doses de baixo calão e escatologia. Alguns eram mais vanguardistas, dedicando-se a experiências com sonoridades menos comuns, tais como Arrigo Barnabé e o dodecafonismo, Akira S. e truques eletrônicos, o "tecnopobre" bem-humorado da dupla Mulheres Negras, o grupo santista techno Harry. Outros, pelo contrário, seguiram a corrente dos "revivalists", procurando retomar as sonoridades dos anos 60, como os neopsicodélicos do Violeta De Outono ou o Ira! em sua segunda fase de "mods" à brasileira. Tweet ("Mods", abreviatura de "modernists", designa os jovens ingleses adeptos das últimas novidades em matéria de roupas e música norte-americana, especialmente soul. Grupos mod locais dos anos 90 incluem Reles-pública e The Charts.) Não podemos esquecer as grandes fusões do rock com a música negra, que resultariam no funk, soul, disco music e, mais tarde, no rap e hip-hop. Saltam à memória os nomes de Roberto Carlos em seus discos de 1968 a 1971, Tim Maia, Cassiano, Hyldon, Tony Tornado, Banda Black Rio, Lady Zu, Frenéticas e o ubíquo Jorge Ben. Mais tarde, nos anos 80/90, teríamos Ed Motta, e a explosão do reggae brasileiro, com os grupos Skank e Cidade Negra. Além, é claro, de Celso Blues Boy, André Christovam, Nuno Mindelis, Nasi & Os Irmãos Do Blues e outros expoentes do blues à brasileira. A explosão mundial do rap em 1985 motivou bons similares brasileiros como Região Abissal, Thaide e DJ Hum, Racionais MCs e, nos anos 90, Gabriel O Pensador (cujo sucesso foi tamanho que poucos se incomodam com o fato dele ser branco e bem-nascido). E a dance-music (disco-music versão anos 90) tem bons representantes nacionais em DJs como Renato Lopes e cantoras como Gottsha, Corona (radicada na Itália e que fez sucesso mundial com "The Rhythm Of The Night") e Patricia Marx. Em 1982/1983 tivemos uma explosão de grupos: Barão Vermelho, Blitz, João Penca & Seus Miquinhos Amestrados, Herva Doce, Gang 90, Sempre Livre, além de artistas-solo como Lobão, Léo Jaime, Lulu Santos e Cazuza (egresso do Barão Vermelho em 1986)... Alguns retomavam o espírito descompromissado dos anos 60 e caracterizaram o que um jornalista chamou de "nova jovem guarda" ou, como admitiu o próprio Roberto Carlos, uma jovem guarda com letras menos ingênuas e mais liberais. Isso para falar somente nos cariocas. Em São Paulo surgiram: Ira!, Ultraje A Rigor, Titãs, RPM, Mercenárias, Muzak, Ness, Fellini, Tres Hombres, 365... Por esta época o grande público ficou sabendo que rock no Brasil não era só Rio e São Paulo. De Brasília vieram os Paralamas do Sucesso, Plebe Rude, Legião Urbana e Capital Inicial. O Rio Grande do Sul contribuiu com os Engenheiros do Hawaii, DeFalla, TNT, Cascavelettes, Nenhum De Nós, Replicantes, Atahualpa e Os Panques, Graforréia Xilarmônica. Não esquecendo mineiros como o Sexo Explícito.
Uns poucos seguiam o bom exemplo dos melhores roqueiros ingleses e norte-americanos, pesquisando as raízes de sua própria terra. Lobão e Cazuza foram os primeiros de sua geração a incorporarem elementos de samba e bossa nova ao rock brasileiro. O Plebe Rude usaria o ritmo do baião em hits como "A Minha Renda". Outros já citados, como Raimundos, Mundo Livre S.A. e Chico Science, não hesitariam em assumir influência da música norte-nordestina (os dois últimos grupos atendem também por mangue-beat). Finalmente o rock brasileiro afirmava-se não só como música, mas também como estilo de fazer música e mesmo de viver. Tal como os Mutantes já haviam afirmado no início dos anos 70: "Se a gente fizer um LP só de samba, será um LP pop, porque nós somos músicos pop." Não podemos esquecer que nos anos 80, tanto no Brasil como lá fora, a mulher deixou de ser apenas cantora, compositora ou mera figura decorativa e símbolo sexual, afirmando-se de vez como plenamente igual ao verdadeiro sexo frágil, ou seja, o homem. Rita Lee e Lucinha Turnbull deixaram de ser exceções. Marina, as Mercenárias, Vange Leonel e Tetê Espíndola foram apenas algumas que se revelaram capazes de ser instrumentistas, arranjadoras e tudo que até então fosse considerado "coisa de macho". Tal integração sexual consolidaria-se nos anos 90 com Cássia Eller, Fernanda Abreu (ex-Blitz), sua xará Fernanda Takai (do Pato Fu) e outras ilustres damas. E os anos 90 têm sido uma época de extrema diversidade para o pop-rock. O grupo mineiro Pato Fu mistura technopop, música caipira e Mutantes. Marisa Monte revelou-se a rainha das cantoras ecléticas, misturando rock, jazz, samba, chorinho e tudo o mais. Arnaldo Antunes, ex-Titãs, continua sua fusão de rock, MPB e poesia concreta. O Graforréia Xilarmônica tempera jovem guarda com guitarras à moda de Steve Vai. Os Paralamas unem o rock ao reggae, rap e música baiana. Esses são apenas quatro exemplos de um cenário amplamente variado. Você acaba de ler uma finalização formal para uma história que tentamos resumir e que, além de já bem longa, não tem fim: a história do rock brasileiro. Pois então, será que não existe rock brasileiro? | |
|
"Se você quisesse dar outro nome para o rock'n'roll, você poderia chamá-lo de Chuck Berry." John Lennon [ entre em contato ] Copyrights ® 1995 BMGV. Áudios, Textos e Imagens © CD-ROM 100 Anos de Música. O conteúdo deste site está protegido pela Lei 9.610 de 19.02.1998. |