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O Rock Brasileiro



Todas as mutações e derivações do rock chegaram imediatamente ao Brasil (com radialistas e lojistas importadores ágeis e espertos compensando a ocasional inércia das grandes gravadoras), e logo tiveram seus imitadores e adaptadores.

O rock instrumental, ao estilo mais polido dos ingleses Shadows ou mais "raçudo" dos norte-americanos Ventures, teve muitos seguidores fiéis, destacando-se os Jet Black's, os Jordans, os Bells e os Clevers (até mudarem de nome e de estilo em 1965, para os Incríveis).

A primeira geração do pop-rock inglês, muito dançante porém mais melódico e "articulado" que o norte-americano, de cantores como Cliff Richard (cuja banda de apoio eram os Shadows), foi imitado no Brasil por, entre outros, Renato e seus Blue Caps e Roberto Carlos.

A exemplo da Inglaterra, o pop-rock feito em países como França (Richard Anthony, Françoise Hardy), Alemanha (Manuela, Ralf Bendix) e Itália (Rita Pavone, Peppino di Capri e mil outros) também refletia o estilo da música popular de cada um desses países, e todos foram muito bem recebidos no Brasil, inclusive regravados em versões em português.

O "high-school rock", bonitinho e bem comportadíssimo (tão expurgado quanto possível da negritude do grande ancestral do rock and roll, o rhythm & blues), de Pat Boone, Paul Anka, Neil Sedaka, Connie Francis, foi uma escola (sem trocadilho) seguida aqui por Tony e Celly Campello, Ronnie Cord, Cleide Alves, Carlos Gonzaga e mil outros.

O rockabilly (rock com forte influência country, de "rock"+"hillbilly", caipira) de Eddie Cochran, Gene Vincent & His Blue Caps (agora você sabe a quem homenageia o grupo de Renato Barros), Ricky Nelson, Chuck Berry e outros foi entusiasticamente praticado por Luizinho e Seus Dinamites, Eduardo Araújo, Alberto Pavão e Baby Santiago.

E os EUA, do alto de sua origem anglo-saxã, não escaparam da influência de seus vizinhos mexicanos ou da "politicamente boa vizinha" Cuba. Basta lembrarmos o "rock chicano" de Richie Valens e sua adaptação do folclore "La Bamba", tradição continuada por Trini Lopez, muitas gravações de Johnny Rivers, Carlos Santana, Los Lobos e tantos outros; no Brasil, tivemos Galli Jr., cantor e compositor transformado por uma gravadora em Prini Lorez.

Não esquecendo que muitos clássicos do pop, rock ou não, são versões e/ou adaptações do pop estrangeiro ou mais antigo, bastando lembrar hits de Elvis como "It's Now Or Never" (a italiana "O Sole Mio") ou "Wooden Heart" (a alemã "Muss I Denn"); no Brasil, o campeão das versões antes da Era do Rock foi Haroldo Barbosa, e após 1954 o trono foi dividido entre Fred Jorge e Rossini Pinto. Enfim, o rock, brasileiro ou não, ainda era música da "juventude feliz e sadia" (frase criada pelo empresário Antonio Aguilar) e mais uma opção, ao lado do samba, bolero e tantas outras, no dial do rádio ou nos catálogos das gravadoras até 1965.





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Conteúdo do texto extraído do CD-ROM "100 Anos de Música"
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